Blog sobre a Gestão do Conhecimento, criado pela primeira turma do MBA Liderança e Gestão de Pessoas da FGV.
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domingo, 18 de julho de 2010
GC - um overview - parte 1
Gestão do Conhecimento: o caso do míssil balístico dos EUA cuja “receita” se extraviou
Você acreditaria que os laboratórios que produzem armas nucleares dos EUA estão tendo dificuldade em dar manutenção para prolongar o tempo de uso de seus mísseis Trident projetados na década de 1980, porque ninguém lembra mais como produzir um de seus componentes?
Uma das funções essenciais da Gestão de Conhecimento é mapear e tornar acessível a Memória Organizacional, permitindo usar em benefício da organização os ativos de conhecimento que frequentemente estão espalhados de forma desordenada em documentos, arquivos, discos, registros diversos e na memória das pessoas.
Como os Estados Unidos esqueceram a receita de seus mísseis Trident?
Os Trident são mísseis nucleares balísticos lançados por submarinos, e sua versão corrente (tecnicamente, Trident II D5) entrou em serviço em 1990, com a intenção de permanecer na ativa até 2027.
Mas em 2002 os EUA anunciaram um projeto para prolongar até 2040 o tempo de serviço dos mísseis, substituindo os componentes necessários, em uma operação de baixo custo. Até aí tudo bem: se a tecnologia permite, o melhor é economizar mesmo.
Só que algo deu muito errado: na hora de produzir um misterioso material chamado Fogbank, cuja função é secreta (e especialistas acreditam estar ligado a uma espuma de isolamento entre estágios da bomba, com papel importante para desencadear a reação de fusão nuclear), ocorreu o que a Administração de Segurança Nuclear (NNSA) classificou como “perda do conhecimento” de como fabricar o Fogbank.
Só que trocar o Fogbank é necessário para atualizar as ogivas dos mísseis, mantendo sua precisão e segurança. E a conclusão do comitê governamental que vem investigando o caso, divulgada recentemente, deve fazer arrepiar os cabelos dos Gerentes de Projetos e dos profissionais da Gestão do Conhecimento na audiência. Citação a partir da cobertura na imprensa:
“A NNSA não gerenciou efetivamente um dos maiores riscos do programa – a manufatura de um material-chave conhecido como Fogbank – resultando em US$ 69 milhões de custos excedentes e um atraso de ao menos um ano, que apresentou significativos desafios logísticos à Marinha.”
Erros sérios na gestão do orçamento, do prazo e dos riscos, tudo em uma única frase, e por culpa de uma espuma cuja receita foi extraviada…
Mas uma única frase não é suficiente para detalhar, portanto vamos escrever um pouco mais:
• Primeiro descobriram que seria necessário construir um novo laboratório para fazer o Fogbank, porque o antigo foi demolido na década passada.
• Com o laboratório novo pronto, chegou a hora de produzir – e só aí foi descoberto que os registros sobre como fazer não estavam disponíveis.
• Mas havia uma explicação: o tema era tão secreto, que poucas cópias da documentação foram produzidas. Será que o mesmo não deveria valer para todos os demais componentes do Trident?
• E tinha mais uma explicação complementar: quase todos os técnicos envolvidos no projeto original já se aposentaram ou saíram da agência – quase um exemplo tirado diretamente de uma apostila de Gestão do Conhecimento, não?
Um comentarista citado na imprensa internacional disse que a consequencia pode vir a ser uma “emergência nacional”, e outro comparou a situação com a de James Bond destruindo suas instruções imediatamente após lê-las, mas frisou: a NNSA não é James Bond.
Já a NNSA se manifestou oficialmente dizendo concordar, em linhas gerais, com o relatório apresentado pelo comitê de investigação. O que ele tinha a acrescentar? Que se ele tivesse um orçamento maior, poderia melhorar seu gerenciamento de riscos.
Concluindo
O projeto ainda está em andamento, e não sabemos como vai terminar. Mas exemplos reais de falhas (e, em especial, de falhas colossais) são interessantes na hora de promover mudanças internas nas organizações.
Neste caso específico, há pelo menos duas causas principais que poderiam ter sido evitadas:
• Pelo lado da Gestão de Conhecimento, a equipe que projetou o míssil em décadas anteriores poderia ter documentado e arquivado os dados do Fogbank tão bem quanto o fez com os demais componentes.
• Pelo lado da Gestão de Projetos, a situação poderia ter sido identificada e tratada mais cedo, sem prejudicar tão profundamente o prazo e o orçamento (e, potencialmente, a própria conclusão do projeto).
Quantos destes projetos de mísseis Trident existem na sua organização? Quais deles estão sob sua responsabilidade? Está na hora de fazer algo a respeito, ou de procurar influenciar quem tem a autoridade para fazê-lo!
Referênccia: http://www.efetividade.net/2009/03/10/gestao-do-conhecimento-o-caso-do-missil-balistico-dos-eua-cuja-receita-se-extraviou/
Blog sobre GC
Nele vocês vão encontrar diversos assuntos que, direta ou indiretamente, são impactados pela Gestão do Conhecimento.
FGV online
Quem quiser se aprofundar um pouco mais no tema tem a opção de um curso online na FGV - veja detalhes
O perigo de uma única história
Vale muito a pena investir alguns minutos para ouvir a palestra da romancista nigeriana (siga o link abaixo).
Nada como um domingão para refletir sobre isto!!!
http://www.ted.com/talks/lang/por_pt/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html
Agradeço ao amigo José Roberto por compartilhar este vídeo e as boas discussões sobre nosso mundo atual e a complexidade das pessoas.
Andreza Brinate
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Mais que compartilhar... as vezes é necessário calçar o sapato do outro

Mais que compartilhar... As vezes é necessário calçar o sapato do outro...
O compartilhamento de conhecimento possui grande relevância em quaisquer práticas que tenham relação com os conceitos que suportam a gestão do conhecimento.
O envolvimento e a integração dos profissionais de várias áreas têm grande valia e contribui de maneira consistente, não apenas para a perpetuação do conhecimento, mas principalmente para a obtenção dos benefícios que a gestão do conhecimento pode proporcionar.
No entanto, e sempre há algum senão, muitas vezes o compartilhamento por si só não é uma garantia para o sucesso destas iniciativas.
São inúmeros os benefícios proporcionados pelo adequado compartilhamento de conhecimentos, no entanto, caso não haja competência necessária junto aos atores envolvidos, haverá falhas, até mesmo, graves no atendimento dos intentos e metas definidas.
Compartilhar é algo positivo, no entanto, será que isto é uma garantia que as melhores práticas serão colocadas em prática? Claro que não…
Como é possível notar, há alguns senões e considerações que devem ser levados em conta de forma a garantir o sucesso desta boa prática… de compartilhar…
É de se admitir que estes cuidados possam ser considerados até mesmo como sendo premissas a serem efetivamente atendidas, sem as quais o compartilhamento pode se tornar, até mesmo, um pesadelo.
Então, quais seriam elas?
Pois bem, não há uma receita pronta, mas convém considerar, ao menos, um breve check list:
Identificar os perfis dos atores envolvidos nos processos de compartilhamento;
Conhecer quais os tipos de conhecimentos que serão compartilhados, quanto a serem explícitos ou tácitos;
Estudar as exigências de determinadas habilidades para a aquisição dos conhecimentos;
Reconhecer as barreiras quanto a efetiva de colocação em prática daquilo que está sendo compartilhado;
Só isso…?
Bem, pode não ser apenas isto, não há receita…
De qualquer forma, talvez uma coisa apenas já atenda todas as necessidades…
Se colocar no papel dos envolvidos…se você está compartilhando, porque não reconhecer, sinceramente, as eventuais dificuldades que o colega, receptor, possa estar apresentando…
…por outro lado, caso você seja o receptor… porque não super valorizar o papel que está sendo exercido pelo outro?
Enfim, talvez, e é só talvez, devemos calçar o sapato do outro…
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Uma mãe estava com seu filho de 8 anos na Disney, assistindo à parada com os personagens do parque. Acidentalmente a criança foi atingida, próximo ao olho, pelo gancho do Capitão Gancho, causando um leve ferimento. Rapidamente, a criança recebeu toda a assistência médica e depois disto, inúmeros pedidos de desculpas, acompanhados de brindes da Disney, novos ingressos para retornar ao parque e up grade de hotel dentro do complexo. De nada adiantou, pois o menino chorava muito e desejava ir embora do parque. À noite, em seu quarto, foi surpreendido por uma visita inusitada: o Peter Pan, que veio lhe agradecer pela imprescindível ajuda na captura do Capitão Gancho e disse que se não fosse por ele, não teria conseguido prendê-lo. Entregou-lhe uma foto do Capitão Gancho amarrado e se despediu. O menino curtiu o restante da viagem e ao voltar para casa exibia orgulhoso para seus amigos, a foto e o machucado, como provas do seu feito.
Este caso comprova como a Disney é eficaz ao lidar com seu maior capital: o imaginário e a ilusão das pessoas.
Fazendo um link deste caso com Gestão de Pessoas, penso que, como gestores, podemos dar soluções eficazes e criativas, a situações inusitadas, levando-se em consideração a missão e os valores da Organização.
História compartilhada na aula de Gestão do Conhecimento I no dia 12/07 .